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2008-06-25 | DOR NO BAÇO

A FAMOSA DORZINHA "DO LADO"...

Quem já não sentiu um dia, ao correr um pouco mais rápido, uma pontada forte bem embaixo das costelas, que às vezes até nos impede de continuar correndo? É aquela dorzinha bem conhecida dos iniciantes em corridas e até mesmo de atletas muito bem treinados (Wanderlei Cordeiro de Lima interrompeu uma prova importante por causa desta dor!) e que cada um costuma chamar por um nome: dor desviada, dor do lado, dor do baço, dor de burro, dor de gay, dor de atleta e tantos outros. O fato é que é uma dor aguda nos flancos abaixo das costelas e que realmente judia de quem corre. Pois esta dor também conhecida como "pontada", uma dor aguda que na realidade pode aparece tanto à direita como à esquerda - a mais frequente - que acontece quase que exclusivamente quando realizamos exercícios na posição ereta e com algum impacto e que obviamente tem uma explicação... Ou quase! Revisando algumas literaturas atuais, tem-se como hipótese mais provável, e a que particularmente eu penso a mais convincente sobre este incômodo, a seguinte:
Anatomicamente possuímos um músculo que separa a cavidade do tórax da cavidade do abdome; que é o DIAFRAGMA. Esse músculo exerce uma função importante durante a respiração movimentando-se para baixo e para cima, aumentando e diminuindo respectivamente o tamanho da cavidade torácica, participando constantemente do ciclo respiratório. Vários órgãos do abdome, como fígado, estômago e o baço (olha ele aqui), estão unidos ao diafragma através de ligamentos (para fixação do órgão na cavidade abdominal), que transmitem ao músculo o balanço destes órgãos durante o ato de correr (atividade que devido aos impactos maiores, deslocam em maior intensidade os órgãos da cavidade abdominal), podendo isto causar uma tensão muscular no diafragma maior que finalmente levaria ao espasmo, causando assim a pontada dolorosa. E como a tensão é sempre maior na área de inserção do músculo (e principalmente do lado esquerdo) que fica próxima ao baço, explicaria a localização mais freqüente da dor. Todo esse mecanismo agravar-se-ia ainda mais quando o atleta assume o padrão de respiração torácica (mais curta e pouco profunda) ao invés do padrão abdominal (mais longa e profunda).

Quais os fatores que contribuem para esta dor?

a) Corridas em declives, normalmente quando se seguem a aclives acentuados;
b) Corridas rápidas e sustentadas (tomadas de tempo);
c) Fraqueza da musculatura da parede do abdome;
d) Falta de treinamento;
e) Tempo frio;
f) Começar a corrida muito rápido;
g) Comer ou beber antes do exercício (pouco tempo antes);

Ah, ok, mas então o que fazer para parar de sentir essa dor, ou melhor, nem chegar a sentí-la?

a) Iniciar gradativamente uma corrida;
b) Respirar profundo e vagarosamente (respirar superficialmente e rápido, só faz piorar);
c) Procure manter um ritmo de respiração apropriado;
d) Exercer pressão com os dedos sobre o local da dor;
e) Realize a respiração abdominal;
f) Se tudo falhar e a dor aparecer, diminua o ritmo de corrida imediatamente e caso persista, não tem jeito, interrompa a atividade até a dor passar!!

Algumas boas dicas são:
Treinar adequadamente sua respiração no padrão abdominal;
Treinar adequadamente a musculatura abdominal (fortalecê-la);
Não exagerar no ritmo de corrida e;
Evitar refeições fartas imediatamente antes das corridas.

SOBRE O BAÇO:

O baço é um órgão do corpo humano, de forma oval, pesando cerca de 150 g, situado na cavidade abdominal, no quadrante superior esquerdo do abdome, ao nível da nona costela e por trás dela. Possui uma face diafragmática (que se relaciona com o diafragma) e uma face visceral (que se relaciona com o estômago, o cólon transverso e o rim esquerdo).
É o maior dos órgãos linfáticos e faz parte do Sistema Retículo-Endotelial, participando dos processos de hematopoiese (produção de células sangüíneas, principalmente em crianças) e hemocaterese (destruição de células velhas, como hemácias senescentes - com mais de 120 dias). Tem importante função imunológica de produção de anticorpos e linfócitos, protegendo contra infecções. A esplenectomia (cirurgia de retirada do baço) determina capacidade reduzida na defesa contra alguns tipos de infecção. É um órgão extremamente frágil, sendo muito suscetível à ruptura, em casos de trauma ou ao crescimento exagerado (esplenomegalia).
O baço produz, controla, armazena e destrói células sangüíneas. Trata-se de um órgão esponjoso, macio e de cor púrpura, quase do tamanho de um punho e localizado na região superior esquerda da cavidade abdominal, logo abaixo das costelas. O baço funciona como dois órgãos: a polpa branca faz parte do sistema de defesa (sistema imune) e a polpa vermelha remove os materiais inúteis do sangue (p.ex., hemácias defeituosas). Certos leucócitos (linfócitos) produzem anticorpos protetores e têm um papel importante no combate às infecções. Os linfócitos são produzidos e amadurecem na polpa branca. A polpa vermelha contém outros leucócitos (fagócitos) que ingerem o material indesejado (p.ex., bactérias ou células defeituosas) do sangue circulante.
A polpa vermelha controla os eritrócitos (hemácias ou glóbulos vermelhos), determina quais são anormais ou velhos demais ou lesados e não funcionam adequadamente, e os destrói. Conseqüentemente, a polpa vermelha é algumas vezes denominada cemitério de eritrócitos. A polpa vermelha também serve como depósito de elementos do sangue, especialmente de leucócitos e plaquetas. Em muitos animais, a polpa vermelha liberta esses elementos do sangue na circulação sangüínea quando o organismo necessita deles, mas, nos seres humanos, essa liberação não representa uma função importante do baço. Quando é realizada uma esplenectomia (remoção cirúrgica do baço), o corpo perde parte da sua capacidade de produzir anticorpos protetores e de remover bactérias indesejáveis do sangue. Conseqüentemente, a capacidade do corpo de combater as infecções é reduzida. Após um breve período, outros órgãos (principalmente o fígado) aumentam sua capacidade de combate às infecções para compensar essa perda e, por essa razão, o risco de infecção não dura toda a vida, e pode-se viver razoavelmente bem sem ele.



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